Data Governance na prática: mais que compliance, um ativo estratégico para BI.

O custo de não governar: o caos analítico

O “caos analítico” é o estado padrão da maioria das empresas antes da governança. Ele se manifesta de formas clássicas:

  • Relatórios conflitantes: Vendas reporta “100” e o Financeiro reporta “95” para a mesma métrica.
  • “Caça ao dado”: Analistas de BI gastam 80% do seu tempo procurando e limpando dados, e apenas 20% analisando.
  • Insegurança (LGPD): Dados sensíveis de clientes espalhados em planilhas e bancos de dados sem controle de acesso.

Tentar implementar um projeto de BI (como Power BI) ou IA em cima desse caos é como construir um prédio em um pântano.

Pilar 1: Governança como fonte de confiança (qualidade)

O primeiro papel da Governança de Dados é garantir a Qualidade de Dados (Data Quality). Ela responde à pergunta: “Posso confiar neste número?”.

Isso é feito na prática através de:

  • Master data management (MDM): define a “fonte única da verdade” (single source of truth). Garante que um “cliente” ou “produto” seja o mesmo em todos os sistemas.
  • Data stewards (curadoria): aloca “donos” para os dados (ex: o Financeiro é dono do “dado de faturamento”). Eles são responsáveis por definir as regras de negócio e garantir sua precisão.
  • Validação e limpeza: implementa as rotinas de Engenharia de Dados que corrigem inconsistências (ex: “SP” vs. “São Paulo”) antes que cheguem ao BI.

Resultado estratégico: confiança. O C-Level para de questionar o número e começa a discutir a estratégia que o número sugere.

Pilar 2: Governança como acelerador de BI (agilidade)

Ao contrário do mito, a governança acelera o BI. O maior gargalo em novos relatórios é o tempo que o analista leva para descobrir quais dados usar.

A prática: A implementação de um data catalog (catálogo de dados). Pense no catálogo como um “Google” interno para os dados da empresa. O analista pode pesquisar por “receita líquida” e o catálogo informa:

  1. Onde o dado está (tabela, banco de dados).
  2. O que ele significa (a definição do data steward).
  3. Quem é o dono.
  4. Qual a sua linhagem (data lineage) – de onde ele veio e como foi transformado.

Resultado estratégico: agilidade. Um novo dashboard que levaria 6 semanas de “investigação” agora leva 1 semana de desenvolvimento, pois a “caça ao dado” foi eliminada.

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